terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mundo Idiota!

Os loucos nascidos seiscentos anos após os primeiros loucos repetem, hoje, as mesmas barbaridades que estes cometeram, seiscentos anos atrás, sob as mesmas premissas com que justificavam aquilo que hoje se considera injustificável - menos para os loucos atuais.

Os idiotas de agora repelem tais atos usando de brutalidade contra os fracos, sob a égide da suposta proteção a seu império de dominação, solidamente fundamentado em crenças erguidas sobre livros de manipulação e sangue.

Combatem a violência por meio da violência, condenam a fé expressa por atos similares - mas não idênticos - aos seus. Discursam mencionando o salvador de sua existência, e comportam-se como aqueles a quem Ele próprio veio contradizer.

Os bárbaros, mercenários espirituais, explodem-se uns e aos outros, cobiçando ter (lá) o que aqueles que combatem já têm (aqui), o que é condenável (é?). Os loucos, por muito quererem, dão pouco aos bárbaros, para depois tomar-lhes tudo. Outros, já tendo galgado ao topo, limitam-se a extorquir o pouco daqueles que pouco têm, contratando, se preciso, os loucos como jagunços.

Os idiotas reagem. (Ou melhor, quase.) Hojerizam-se, do alto confortável de seus sofás, ao verem por lentes distantes atrocidades (dos bárbaros), nos moldes daquelas de seus doutrinadores, ou ícones, de outrora, segundo os quais a proteção ao divino justificava toda barbárie.

Os bárbaros, ainda imersos no mesmo contexto dos antecessores dos idiotas, milênios antes, regozijam-se, e orgulham-se, hoje, em destruir fragmentos inocentes do mundo que combatem, por dele desejarem fazer parte - neste ou em outro mundo.

Em nome do divino, matam-se mais do que as próprias misérias a quem fingem combater. Em nome do mundano, repetem hoje os erros de ontem, ecos dos de anteontem, os mesmos de seus pais e avós.

Bárbaros, loucos ou idiotas; cegos. Todos se merecem. E, por favor, mereçam-se! Mas, por dignidade, longe das vidas dos vivos.

19/04/2007, 01h25

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