quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A terra prometida - Parte I

Quando Jesus Cristo foi crucificado, ali num estadozinho recém-criado e instável chamado Goiás, um punhado de fariseus resolveu fugir para buscar refúgio da ira divina. Resolveram ir pro outro lado do mundo. Só tinha um problema: o outro lado do mundo era muito longe, corriam o risco de sair de Goiás.

Lá pelas tantas chegaram a um impasse: tudo e até a morte... mas não Minas Gerais. Por outro lado, poderiam ir ao inferno e voltar... mas Bahia nãããão...

Instalaram-se então no meio do caminho, fundaram o Núcleo Rural do Cocozim. Era pra ser côcozim, mas não botaram acento e se escreveu errado e não leu... dava na mesma, eram todos analfabetos.

A região tinha duas vantagens. Primeira, por mais que fosse longe, ainda era dentro do Goiás. Inteiramente cercada por um monte de só Goiás.

 Segunda, segundo levantamentos estatísticos prévios que duraram quase três minutos, tinha a maior concentração de pé-de-pequi por quilômetro quadrado.

 Graças a Deus, eles acabaram com TUDO!

 Hoje, o antigo Distrito do Cocozim é o maior importador de pequi da América Latina. Quiseram até fazer um trem-bala - pra importar mais pequis e mais rápido - mas só de ida, pra não deixar os goianos fugirem daquela desgraça.

Mais tarde um mineiro passou por ali, conheceu a história e... sim, era mineiro, mas dizem as más linguas que tinha um assessor que era pior que goiano: era goiano fugido, e sabia a exata localização do paradeiro dos errantes, então achou-os fácil. Daí o mineiro, vendo toda aquela bonança, ficou com inveja e só de raiva deu na pecha de denunciar a terra prometida. Mandou que riscassem um quadrado em volta e chamou aquilo de Distrito Federal.

 Aliás, notaram? O mineiro mandou riscar um QUADRADO! Mas em terra de fazendeiro, quem tem geometria na verdade não tem é nada, daí deu no que todo mundo hoje sabe que deu. Dizem que os goianos ainda assim quiseram fugir, então para segurá-los lá, o tal mineiro prometeu um avião para levá-los ao tão sonhado outro lado do mundo. Um avião tão grande que caberiam eles todos - e mais um monte de pequi. Só tinham que esperar o piloto, que ia se atrasar, mas que um dia aquilo iria voar. Dizendo isso, construiu uma cidade com formato de avião em volta dos goianos, e um dia mostrou a foto aérea, coisa moderna naqueles tempos, recém-chegada de sabe-se-lá-onde. Ainda convenceu os goianos de que estavam na primeira classe - era malandro, o tal mineiro.

Assim, lá ficaram os goianos naquela terra, esperando o tal piloto, movidos pela esperança de ir pro outro lado do mundo sem pisar em Minas ou Bahia, e ainda levando um punhado de pequi (importado) pro sustento da família. Pois lá ficaram, igual galinha quando se a põe com o bico colado numa linha reta pintada no chão.

  Em alusão, chamou-se aquilo de Plano-piloto. os refugiados é que sabiam a verdadeira razão do nome, que só agora se revela e, aos outros, o mineiro inventou várias versões. Tem gente que diz até que é porque estaria situado num plano, o que é visivelmente absurdo! Se assim fosse, nunca se teria visto um plano com tantos altos e baixos - apesar de que naqueles tempos, em terra de fazendeiro, quem sabia topografia não sabia era nada, então seria até possível. Que sirva de testemunha o que chamaram de "Vila Planalto", que fica no ponto mais baixo da cidade, mas enfim...

Fato é que, por qualquer razão que seja, o tal avião nunca teve piloto. Ou, se teve, era no máximo piloto de kart, e kart infantil; não sabia conduzir um avião.

=========  tubí continuédi ==========

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